sábado, outubro 20, 2007

dança de roda

Bem melhor do que navegar sozinho
Bem melhor do que caminhar sem par
Muito mais do que só se olhar no espelho
Ou ver a própria sombra...

Pega a sanfona, traz a viola, toca a rabeca (olerê)
Chama os tambores e os tocadores pra nossa festa (olará)
Faz uma fogueira, planta uma bandeira, canta a noite inteira (aiá)
Convida todos os ritimistas para a calçada (olerê)
Pega as estrelas, põe nas soleiras da madrugada (olará)
Dança moçambique, dança marujada, dança de congada (aiá)

Uma parte da vida é suor e pão
Outra parte é pandeiro e celebração
Tudo tão bom
Se a mão de quem planta puder colher

Ir além dos limites do próprio corpo
Por o pé nas fronteiras do nosso chão
Palmo a palmo, alcançar com algum esforço
O esboço de outra palma

Ver o riso pousado em cada rosto
Ter o gosto de reaprender a andar
Como quem sabe caminhar dançando
Ao toque da viola

Viva a alforria! Viva a alegria! Viva a fartura! (olerê)
Que haja folia e cantoria, que haja procura (olará)
De uma dança nova, de um casa nova, de uma vida nova (aiá)
Dança de roda, dança de rua, dança de novo (olerê)
Festa de maio, festa de negro, festa do povo (olará)
Canta a novidade, canta de verdade, canta a liberdade (aiá)

É que a vida floresce nos pedregais
E renova a florada dos matagais
Belos sinais
Da chegada certeira de um tempo bom

(canção que faz parte do meu próximo CD: Água no Deserto)

simplicidade


Simplicidade é um dom, ser livre é um dom,
Estar onde se deve estar é um dom
E quando estamos no lugar certo
Este será o vale do amor e da alegria.
Quando se alcança verdadeira simplicidade
Para prostrar-se e curvar-se, não há acanhamento
Pois girar e girar será a nossa alegria
Até que girando e girando cheguemos ao lugar certo.

(cântico shaker Elder Joseph Brackett Jr., 1848)

O Senhor da Dança


Dancei na manhã em que o mundo começou
Dancei com a Lua, as estrelas e o Sol
Desci do céu e dancei na Terra
Em Belém eu nasci

Então dance, onde quer que você estiver
Eu sou o Senhor da Dança, Ele disse!
E vou conduzi-lo, onde quer que você estiver
E vou conduzi-los todos na dança, Ele disse!

Dancei para os escribas e fariseus
Mas eles não gostam de dançar, não quiseram me seguir
Dancei com pescadores, com Tiago e João
Eles vieram comigo, e a dança continuou

Dancei no sábado em que curei um paralítico
E os santarrões disseram que isso era vergonhoso!
E me chicotearam e me torturaram e me pregaram numa cruz
E ali me deixaram para morrer!

Dancei numa sexta-feira quando o céu ficou escuro
É difícil dançar enquanto se é pisoteado pelo Diabo
Enterraram meu corpo e pensaram que eu estava acabado
Mas eu sou a Dança e por isso continuo

Eles me cortaram e levantaram no madeiro
Eu sou a Vida que jamais perece, nunca morre!
Viverei em você se você viver em mim
Eu sou o Senhor da Dança, Ele disse!

(hino shaker do século XIX, adaptado por­ Sy­dney Car­ter, 1963)

sábado, outubro 13, 2007

calma, zé!

"Seja paciente, pois cada pessoa que você encontra está enfrentando uma grande batalha" (Filo de Alexandria apud Furnal, 2007).

sexta-feira, outubro 12, 2007

john wesley e a escravidão


"A escravidão é uma vilania nojenta, um escândalo para a Inglaterra e para a humanidade. Fico chocado quando um homem, por ser negro, é enganado ou atacado por um branco e não pode se defender... Vá em nome de Deus e no poder do Seu Espírito, para que a escravidão americana, a mais infame que já se viu sob o sol, seja banida para sempre" (John Wesley, na última carta que escreveu antes de morrer, 24 nov. 1790. A carta foi escrita a William Wilberforce, figura fundamental na abolição do tráfico de escravos na Inglaterra, em 1807).

terça-feira, outubro 09, 2007

o deus que ama você


Deve ser trabalhoso para o Deus que ama você
Pensar em como você seria mais feliz do que é hoje
Se você pudesse avistar seus muitos futuros.
Deve ser doloroso para Ele vê-lo nas noites de sexta
Indo para casa de carro, após um dia de trabalho, contente com sua semana --
Três belas casas vendidas a famílias dignas --
Sabendo, como Ele sabe, o que teria acontecido exatamente
Se você tivesse feito a segunda opção na universidade,
Conhecendo o colega de quarto que você teria,
Cujas ardentes opiniões sobre pintura e música
Teriam despertado em você um vocação que duraria uma vida inteira.
Um vida 30 graus acima da vida que você leva hoje
Em qualquer escala de satisfação. E cada ponto seria
Um espinho no lado do Deus que ama você.
Você não quer isso, um homem generoso como você
Que tenta poupar sua esposa dos desapontamentos do dia
Para que ela possa guardar seu bom humor para as crianças.
E você, gostaria que esse Deus comparasse sua esposa
Com as mulheres a quem você estava destinado a encontrar no outro campus?
É difícil para você pensar nele avaliando quanto mais proveitosa seria
A sua conversação lá nessa outra universidade
Em comparação com as conversas que você costuma ter.
E pensar como esse Deus amoroso se sentiria
Sabendo que o próximo homem da fila para casar-se com sua esposa
A faria muito mais feliz do que você jamais seria capaz,
Mesmo em seus melhores dias, quando você realmente se esforça.
Você consegue dormir à noite crendo que um Deus assim
Está caminhando pelo Seu quarto celeste, chateado pelas alternativas
Às quais você foi poupado por pura ignorância? A diferença entre o que é
E o que poderia ser permanecerá viva para Ele,
Mesmo depois de você deixar de existir, depois de você pegar um resfriado
Ao correr pela neve em busca do jornal da manhã,
Perdendo 11 anos de vida que o Deus que ama você
Imagina, cena por cena.
A não ser que você venha ajudá-lo ao imaginá-lo
Sábio tanto quanto você é, não um Deus, na verdade, somente um amigo,
Não mais íntimo que seu amigo verdadeiro que você conheceu na universidade,
a quem você não escreve a meses. Sente-se hoje à noite
E escreva a ele sobre a vida a respeito da qual você pode falar
Com certa autoridade, a vida que você tem testemunhado,
Que, até onde você sabe, é a vida que você escolheu.

(Carl Dennis, 2001, apud Josh Furnal, 2007)

o céu dos ingleses

"Eu não penso como mamãe. Não falo nada porque em negócio de religião ela não admite discussão. Não posso ter esse medo que mamãe tem porque eu penso comigo: 'Se meu pai for para o inferno, para onde irão meus tios e todos os homens de Diamantina a não ser Seu Juca Neves?'. Eu sei que Deus é justo. Já sofri muito em pequena por causa de vovô e não quero agora sofrer também por causa de meu pai. Na escola de Mestra Joaquina eu não podia ter a menor briguinha com uma menina, que ela não dissesse logo: 'Meu avô não é como o seu que foi para o céu dos ingleses'. Meu avô não foi enterrado na igreja porque era protestante; foi na porta da Casa de Caridade e até hoje se fala nisso em Diamantina. Quando ele estava muito mal, os padres, as irmãs de caridade e até Senhor Bispo, que gostava muito dele, pelejaram para ele se batizar e confessar para poder ser enterrado no sagrado. Ele respondia: 'Toda terra que Deus fez é sagrada'. O vigário não quis deixar dobrar os sinos, mas os homens principais de Diamantina foram às igrejas e fizeram dobrar todos os sinhos da cidade o dia inteiro. Ele era muito caridoso e estimado. Quando o doente não podia, ele mandava os remédios, a galinha e ainda dinheiro. A cidade inteira acompanhou o enterro. Quando ele morreu eu era muito pequena e até hoje se fala em Diamantina na caridade do Doutor Inglês, como todos o chamavam. Um homem assim pode estar no inferno?" (Helena Morley, Minha Vida de Menina, 9 nov. 1893). [Helena Morley era o pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant, de pai protestante e mãe católica, que manteve um diário de infância que veio a se tornar muito famoso na década de 1940]